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A Era das siglas nos transtornos mentais?

01 de março de 2018

Como estudante de Psicologia ainda me surpreendo com tanta variedade de transtornos,  que são identificadas no Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiatra Americana (DSM-V) que classifica os transtornos mentais.

Outro dia na sala de aula minha professora perguntou se alguém sabia o que era TOD? Ninguém conseguiu responder. TOD é Transtorno Opositivo-Desafiador, ou seja, os pais que estiverem lendo agora este texto, irão começar a achar que o filho por não gostar de fazer o que eles pedem tem TOD.

Viver num mundo que existe uma necessidade de se encaixar em um diagnóstico para poder ficar mais tranquilo é isso mesmo? Quando recebe um diagnostico mental a pessoa começa a justificar suas atitudes, ao invés de procurar ajuda para entender as origens delas. Faço isso, porque tenho aquilo e todo mundo tem que aceitar.

É a era das siglas. Criança distraída ou muito agitada? Tem TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade? Talvez. E uma pessoa que tem um humor variado? Tem TAB – Transtorno Afetivo Bipolar? Pode ser. Uma mulher que acordou um pouco irritada ou está nervosa? Está com TPM – Tensão Pré-Menstrual? Tem chance.  Daqui a pouco você vai achar que tenho TES – Transtorno de Escrever Siglas. Afirmar é muito perigoso.

Como disse Freud uma vez: “ Ás vezes um charuto é apenas um charuto”.  Sonhar com um objeto cilíndrico, como o charuto, não quer dizer representar um pênis, é um charuto mesmo.

Longe de mim, como futuro psicólogo achar que um diagnóstico não é importante. Sim é de grande ajuda e muitas vezes necessário, mas não se pode definir as atitudes de um pessoa apenas por uma sigla.

Onde quero chegar? Ter um humor que fica oscilando não se poder rotular ser a pessoa portadora de Transtorno Bipolar. Ela até pode ter, mas precisa ser investigada de forma mais profunda. A pessoa também pode estar passando por momentos difíceis na vida e que precisa muito mais de uma conversa com um bom psicólogo do que de um remédio.

Como jornalista, estudante de Psicologia e autor do livro: Uma mente compulsiva – A História de quem viveu obsessivamente ( a ser publicado este ano), as pessoas não devem viver em busca de  respostas aos seus problemas psicológicos apenas num diagnóstico.

Existem muitas coisas que precisam ser entendidas antes de assumir um “rótulo” e acabar prisioneiro dele. Quando o ser humano vive preso a um diagnóstico é muito complicado. Muitas vezes é bem possível ver pessoas falando, que por ela ter sido diagnosticada como transtorno bipolar, por exemplo, ela é assim e não vai mudar nunca*.

Procure ajuda! Um bom psiquiatra ou psicólogo, por exemplo, podem ajudar.

*Este texto é um pequeno esclarecimento sobre o tema e não tem como objetivo diagnosticar ninguém. Caso você tenha interesse pelo assunto, busque mais informações.

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