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Joel Jacintho, o eclético jornalista da Cultura

Publicado 27 de fevereiro de 2011

Atualizado 05 de maio 2019

Acho que devo isso como jornalista, abrir pelo menos uma vez por mês, um espaço nesta minha coluna, para reverenciar as pessoas que realmente fazem acontecer neste Maranhão, em especial, na nossa São Luís. Joel é uma delas, dono de um carisma, consegue unir todas as tribos dos meios de comunicação e sair ileso de tanta turbulência de criatividade e muitas vezes de egos inflamados. Joel Jacintho, com TH, já mostra ser uma figura especial, daquelas que toda cidade precisa ter, que faz da sua profissão uma forma de colocar seu bloco na rua, pois com ela, ele faz acontecer, e gostando dele ou não, já deixou sua marca como um jornalista da Cultura, e em especial deste Carnaval da diversidade cultural. Véspera da maior festa do povo, nada melhor de saber um pouco da vida deste  multimídia e porque não dizer multifacetado profissional. Joel Jacintho Santos Lopes  é o nosso Foto Digital do mês de fevereiro.

“O Homem e o Mar… Navegar é Preciso” – Enredo da Favela do Samba 2008.

Joel navega nos mares da cultura popular, nas noites efervescentes da Ilha Bela, aonde chega sempre conhece alguém e é claro, acaba virando o centro das atenções, com seu carisma e paixão por tudo que faz.

Antes, preciso lembrar quando passei a admirar o profissional. Como venho do rádio AM do Rio de Janeiro, durante algum tempo em São Luís, fiquei alheio ao que acontecia na amplitude modulada do Rádio Brasileiro. Sou um carioca do esporte, do carnaval e um apaixonado por Bumba meu Boi. Um dia sintonizei a Rádio Capital em busca de informações sobre o Carnaval, especialmente a apuração (adoro apuração dos quesitos). No ar, era o horário do programa da Helena Leite, tinha uma mesa formada e entre os participantes  Joel Jacintho.

Fiquei atento aos seus comentários, que sempre eram bem colocados, em virtude da situação que o tema se apresentava. Falava com conhecimento de causa, citava nomes, datas e falava de quanto o carnaval de São Luís precisava melhorar, mas elogiava o que acontecia de bom. O ano, a memória me escapa agora.

Como o rádio tem destas coisas, nunca tinha visto Joel na minha frente, porém, num belo dia, fui trabalhar no mesmo jornal que ele, o Jornal Pequeno, e a partir deste ponto, pudemos estreitar mais a amizade profissional.

“A Esperança que Balança, mas não cai” – Enredo da Favela do Samba 1998.

Joel nunca perdeu a esperança; nascido na capital, ele vem de família humilde, filho de Claudinor Lopes, um ferroviário (já falecido) e que foi juiz de futebol, e de dona Maria Luzia, hoje, com 80 anos, uma grande florista. Ele não teve uma vida fácil, a família com pouco dinheiro, muitas vezes teve que abrir mão de algo que gostava, para poder ter o necessário para viver e ele fala com muito orgulho disso.

Estudou em escola pública, não teve as facilidades e até poderia ter percorrido outros caminhos, porém, dentro dele já pulsava o homem da comunicação que iria surgir no futuro. Formou-se na UFMA e hoje, na mesma Universidade que cursou, é funcionário do Departamento de Cultura.

“Tropa, Tropeços do País Tropical, Tudo Acaba em carnaval – Enredo da Unidos de Fátima1994.

Muitos tropeços ele levou pela vida, não se acha vítima de preconceito, mas sofreu muito no começo da vida profissional. O falecido radialista Mauro Campos foi quem deu a primeira mão no rádio e acreditou que o jovem Joel seria um grande profissional e acertou em cheio.

Jacintho começou no esporte, e a sua grande matéria que marcou  até hoje, foi sobre a “Seleção dos melhores do futebol maranhense”, bons tempos aqueles que se podia fazer a seleção dos melhores jogadores locais, uma matéria abençoada por Souzinha, outro profissional que estendeu a mão para Joel.

“Maranhão: Caixinha de Segredos” – Enredo da Turma do Quinto 2001.

Quem conhece Joel, sabe que ele não é uma caixinha de segredos, nem como pessoa e nem como profissional, até porque, depois de algum tempo e com nome e sobrenome feito no jornalismo maranhense, seu sobrenome não é da empresa que trabalha e sim do que construiu. Ele já contou muitos segredos e com isso, como bom jornalista, não é amado por todos e como já dizia Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.

Como pessoa é cristalino, anda com desenvoltura em todos os lugares que esta cidade tem, consegue unir todas as tribos numa só. Sejam as tribos de índios, afoxés, blocos tradicionais, escolas de samba, e com sua maestria consegue unir a tribo dos profissionais da imprensa.

Neste ano ele foi um dos promotores do Bloco da Imprensa, e na conversa que mantive com ele, Joel me confidenciou que muitos poderiam até achar que ele nem precisa fazer o que fez, mas pensando bem, sem pessoas como o Joel, que fazem acontecer, nada teria saído. Quando você estiver lendo este texto, já aconteceu o Baile da Imprensa, que de forma simples, porém, longe de ser simplória, une de alguma forma toda a classe.

Apesar de ser um notívago, Joel vive intensamente seu dia, em sua casa o rádio fica ligado 24 horas e sua internet só desliga quando ele sai de casa. Ele é um dos profissionais mais solicitados sobre o assunto Carnaval e São João, por colegas da imprensa que precisam enriquecer suas matérias e isso ele faz com maior prazer, pois guarda com ele um grande acervo sobre a cultura não só do Maranhão.

“São Luís é tão bela quanto a Flor” – Enredo da Flor do Samba 2008.

Joel não é muito nostálgico, mas guarda com orgulho algumas coisas do passado da cidade que tanto ama, que é São Luís. Não é de guardar mágoas, mas uma coisa ele me confessou. No ano de 2007, ele sentiu um vazio enorme ao passar pela Praça Deodoro e sentir que a política falou mais alto (para mim, foi falta de visão) e fez o Carnaval de São Luís naquele ano, não existir na Deodoro como era nos anos anteriores.

Joel ficou parado na Rua do Passeio, como que não acreditasse no que estava vendo, uma Deodoro vazia e sem vida. Andou pela rua meio que perdido, como o Pierrot atrás da sua Colombina ou sua Colombina atrás do seu Pierrot, que me permitam o duplo sentido, e só quando chegou próximo à Vila Gracinha, pôde sentir um pouco do Carnaval que tanto sentia falta naquele ano.

Ele adora o momento atual que vive São Luís, que é próximo ao Carnaval. Tem uma grande amizade com o presidente da Func – Fundação Municipal de Cultura, Euclides Moreira Neto, tanto que no primeiro ano que Euclides assumiu, mesmo não tendo ligação com os políticos eleitos (coisas do Brasil, que para trabalhar tem que ter votado ou participado das panelas políticas), deu total apoio ao amigo e ajudou a fazer um belo Carnaval de Passarela, que para uma minoria que torce para quanto pior melhor, não deve ter agradado, mas foi um enorme sucesso. Tudo pelo amor ao Carnaval que faz parte da sua vida.

“Se correr o bicho pega se ficar o bicho come” – Enredo da Mocidade Independente da Ilha de  2008”.

Para Joel o bicho pega é todo dia, fugir nem pensar, mas hoje ele pensa duas vezes. Jacintho foi militante do PT, trabalhou no Sindicato dos Previdenciários, porém, acha que o movimento esvaziou um pouco e se diz decepcionado com o caminho que alguns políticos seguiram depois que foram mordidos pela mosca azul do poder, como ele mesmo citou. Joel não acredita que o poder emana do povo como deveria ser.

Joel faz sua parte, usando o conhecimento e o prestígio que tem para ajudar as pessoas. Se falta luz na rua, é ele quem vai acionar a empresa responsável para saber os motivos. Falta um remédio para alguém ou uma internação, usa dos bons caminhos para de alguma forma solucionar este problema. Desta forma o bicho pega para Joel.

“Quanto riso…! Quanta alegria..! 1.000 palhaços no salão” – Enredo da Unidos de Fátima de 2002.

E é assim que Joel vai levando sua vida. Entre risos, alegria e andando pelos salões da noite  ludovicense. Ele tem saudade do Carnaval na corda, dos Blocos Tradicionais de cetim, dos bailes do Lítero e do Cassino Maranhense. Joel sente saudades das marchinhas políticas que tanto faziam sucesso  e que hoje, movidas pela máquina governamental, se perdem em meio, não generalizando, nas mesmices de ano após ano.

E parafraseando alguns versos das grandes marchinhas do Carnaval. Joel é mais que 1000 palhaços no salão, com ele as águas vão rolar, garrafa cheia ele não quer ver sobrar. Jacintho tem mais que um lindo apartamento, com porteiro e elevador. E ar refrigerado, para os dias de calor; com ele até pode  faltar o amor. Há, há, há, há! Isto até ele acha graça. Só não quer que falte, a danada da cachaça. Joel Jacintho é pura Cultura Popular.

Dividi este texto citando enredos de carnavais das Escolas de São Luís, mas quem sabe um dia não pode surgir um assim. “Joel Jacintho, entre jornais e rádios, fez-se o homem da comunicação da cultura popular”. Bom carnaval para vocês!

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