Previna-se de cinco doenças típicas da gestação

  • Cistite, vulvovaginite, pré-eclampsia, diabetes gestacional e anemia ferropriva são algumas das doenças que podem ser desenvolvidas durante o período gestacional

 

Enjôos, vômitos, queimação, dores lombares, fraquezas, desmaios e salivação são alguns dos sintomas mais comuns relacionados ao início da gestação. Entretanto, no decorrer da gravidez, a mulher também pode sofrer com outros problemas de saúde, que precisam de cuidados e tratamentos especiais.

Durante o período gestacional, a futura mamãe não deve se preocupar apenas com o bebê, mas também consigo mesma. Afinal, seu bem estar influencia diretamente no desenvolvimento saudável da criança. A mulher precisa estar atenta a todas as mudanças que ocorrem em seu corpo, além de cuidar de sua alimentação, atividade física e descanso”, explica a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844), doutora em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo, clínica de São Paulo especializada no tratamento da doença.

Como é um período de mudanças intensas no corpo, para evitar ou mesmo detectar qualquer problema de saúde. É primordial que a mulher faça o pré-natal, a fim de impedir qualquer complicação, pois muitas gestantes acabam desenvolvendo algumas doenças que são típicas da gestação, as quais podemos prevenir ou tratar precocemente”, afirma a médica. Para saber quais são estas doenças, as razões que levam ao seu aparecimento, sintomas e como tratar, entrevistamos a Dra. Rosa Maria Neme.

VULVOVAGINITE

O que é: trata-se de uma manifestação inflamatória ou infecciosa do trato genital feminino inferior, região que envolve a vulva, a vagina e o colo uterino. A mais comum delas é a candidíase, causada pelo fungo Cândida albicans.

Principais sintomas: corrimento, dor ao urinar, coceira.

Por que surge na gravidez: “Devido à queda na imunidade da gestante, a cândida, que habitualmente vive no intestino e faz parte da flora vaginal normal, prolifera e passa para a vagina provocando a infecção”, explica a Dra. Rosa Maria Neme.

Como prevenir: higiene adequada e adoção de medidas que melhorem a imunidade, como atividade física e alimentação balanceada.

Tratamento: são prescritos cremes vaginais antifúngicos por até sete dias para aliviar o incômodo. Não há riscos para a mãe ou o bebê.

CISTITE

O que é: infecção das vias urinárias. 

Principais sintomas: desejo freqüente de urinar, sensação de ardor ao urinar, dor no baixo ventre, sangramento.

Por que surge na gravidez: a progesterona (hormônio predominante na gravidez) provoca uma dilatação das vias urinárias que impede a bexiga de se esvaziar completamente, favorecendo a infecção.

Como prevenir: ingestão de líquidos e não prender a urina.

Tratamento: o antibiótico é prescrito após exame de urina para identificar o agente responsável pela infecção. Se não for tratada rapidamente, esta doença pode atingir os rins (pielonefrite), provocar ruptura da bolsa ou até parto prematuro.  

 

 

PRÉ-ECLAMPSIA

O que é: aumento da pressão arterial após o quinto mês de gestação (essa elevação é restrita à gravidez, após o parto a pressão volta ao normal).

Principais sintomas: inchaço, espuma na urina, dor de cabeça e de estômago, convulsão, dores abdominais, vista embaralhada.

Por que surge na gravidez: ainda não se sabe, mas está relacionada à presença da placenta.

Como prevenir: acompanhamento pré-natal, principalmente no final da gestação. Nos casos mais graves, que podem evoluir para a eclampsia, o médico pode antecipar o parto, pois há risco de morte para a mãe e o bebê;  

Tratamento: repouso, controle da pressão arterial, medicamento e dieta com pouco sal.

DIABETES GESTACIONAL

O que é: alteração nas taxas de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na gestação. Pode persistir ou não depois do nascimento do bebê.

Principais sintomas: sede, aumento na quantidade de urina, náusea, vômito, infecções freqüentes, visão embaçada.

Por que surge na gravidez: ainda não há um consenso. Dentre os fatores de risco estão histórico familiar de diabetes, obesidade ou excesso de peso na gravidez, um filho anterior com peso acima de 4 quilos ou deformação congênita, pré-eclampsia e idade avançada materna.

Como prevenir: controle do peso e exame de sangue.  

Tratamento: dieta adequada e, eventualmente, injeções de insulina. “Quando descompensado, o diabetes gestacional pode antecipar o parto ou até mesmo provocar a morte do feto”, diz a especialista. O exame para detectar o diabetes gestacional deve ser feito entre a 24ª e a 28ª semana da gestação.

ANEMIA FERROPRIVA

O que é: deficiência de ferro que interfere na formação de hemoglobina e glóbulos vermelhos.

Principais sintomas: fraqueza, palidez, falta de fôlego, sono excessivo.

Por que surge na gravidez: dieta inadequada, falta de reposição de ferro e diluição natural do sangue na gestação, dado ao aumento de retenção de líquido.

Como prevenir: suplementação de vitaminas e dieta balanceada, rica em agrião, espinafre, lentilha, feijão branco, frutas secas, gema de ovo, fígado, escarola, melão, abacate, entre outras fontes de ferro.

Tratamento: medicamento oral ou injetável à base de ferro e dieta balanceada.

 

Perfil

 

Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844) – É graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). É membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade de Ginecologia do Estado de São Paulo (FEBRASGO/ SOGESP) e membro da Associação Americana de Laparoscopia Ginecológica (AAGL). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Samaritano, São Luiz e Sírio Libanês.
O Centro de Endometriose São Paulo conta com serviços voltados à assistência global da saúde da mulher e valorização da beleza feminina. A iniciativa deste projeto pioneiro é da Dra. Rosa Maria Neme, que possui diversos trabalhos publicados sobre a endometriose e larga experiência no tratamento desta doença. Ela lidera uma equipe clínica formada por médicos e profissionais nas áreas de ginecologia, radiologia, cirurgia do aparelho digestivo, urologia, clínica geral, anestesia especializada no tratamento de dor, dermatologia, fisioterapia, nutrição e psicologia.

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